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Polemica: Apologia aos transtornos alimentares na internet: O èrogpdos grupos pró-ana e pró-mia para criança e jovens

Os espaços autodenominados pró-ana e pró-mia definem os transtornos alimentares como um estilo de vida e através de diversas regras, doutrinas e valores optam  pela perpetuação da doença gerando uma espécie de adoecimento comunitário. As páginas, usualmente bastante sofisticadas, se misturam com outras que abordam transtornos de comportamento, como a auto-mutilação onde o corpo é o foco da atenção, no sentido de castigá-lo uma vez que é fonte do sofrimento. Tais situações provocam a complexificação das informações e sensações dos indivíduos portadores dos transtornos alimentares através dos espaços cibernéticos por onde circulam. O conteúdo das páginas aborda dietas, conselhos, referência de drogas, dicas de como “driblar” familiares e amigos no sentido de esconder os sintomas, orientações de como se comportar como uma “verdadeira” anoréxica ou bulímica. A dinâmica da rede parece proporcionar que vivências particulares, valores e questões subjetivas passem a fazer parte do espaço público. Logo se instala um cenário que possibilita a articulação entre os indivíduos no sentido de afirmar a patologia. A doença esvazia seu significado problemático e passa a ser associado como uma marca de identidade.

Sobre a população estudada observou-se que as páginas pró-ana e mia são freqüentadas e criadas principalmente por menores de idade. Estima-se que um 67% dos usuários são jovens entre 13 e 17 anos de idade. Sendo que 5% dos usuários possuem menos de 14 anos de idade. Apesar de algumas profissões serem consideradas como grupos de risco para o desenvolvimento dos transtornos alimentares (modelos, bailarinas e atletas), a internet demonstra que em sua grande maioria, as jovens pró-ana e mia não pertencem estes grupos. Uma esmagadora maioria dos usuários é do sexo feminino. Apenas 1 Blog encontrado pertencia a um jovem do sexo masculino. Alem disso, é rara a participação efetiva de meninos nas comunidades de Orkut. Em sua grande maioria a rede pró-ana e pró-mia brasileira consiste de meninas portadoras de bulimia.

Apesar da tentativa por “não ensinar ou incentivar a ser” em algumas jovens mulheres integrantes da rede, o volume, teor e apresentação da “filosofia” pró-ana e mia e suas dicas e truques servem como um roteiro para adoecer e manter-se doente.  A identificação com outros portadores do distúrbio parece reforçar a identidade do grupo, perpetuando e avigorando a conduta. A rede dificulta o processo de reconhecimento e busca de tratamento devido à definição da doença como um movimento, ideal e estilo de vida. Promove-se o sentimento de solidão como forma de conexão entre os indivíduos, intensificando sintomas de quadros depressivos existentes.
Nestes espaços oferecem-se informações sobre a aquisição de medicação sem que haja uma monitorizarão do seu uso além de instruções de como lidar com o corpo e o metabolismo num funcionamento limite. As páginas contribuem com a cultura de estigmatização das pessoas obesas ou com sobrepeso.

As informações referentes a dicas e truques para emagrecer, possuem informações errôneas e carentes de critério científico, podendo apresentar sérios riscos para a saúde. Reforça-se a adesão a rituais árduos relacionados à comida que podem transformar-se em comportamentos obsessivo-compulsivos e de difícil tratamento posterior.
Finalmente, os espaços contêm materiais que personificam, glorificam e endeusam a doença, incluindo cartas, orações e credos. Estas estratégias de absorção do grupo geram um efeito de desresponsabilização do doente retirando o protagonismo do mesmo em seu processo de saúde e doença.

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